Planejando Porto Alegre

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1. Introdução
A denominação Quarto distrito remonta, na história de Porto Alegre, a divisão
administrativa inicial da cidade cujo sentido está direcionado à referência Latina original
“DISTRÍCTUS”, particípio passado de DISTRÍNGO, com o significado de 1) Preso; 2)
Ligado; 3) Ocupado. O termo “DISTRÍNGO” tem um sentido próprio de: 1) Ligar de um
lado e do outro; 2) Ocupar em muitas coisas ou em muitos lugares.
O uso do termo “Distrito” relativamente à cidade, desta maneira, está direcionado ao
sentido de ocupação, somado a diretiva administrativa.
A referência relativa aos distritos permaneceu sendo utilizada e a partir dos anos 30. Esse
termo é usado de forma cada vez mais livre e destituído do sentido administrativo original,
que deve necessariamente, relacionar o distrito como uma área geográfica determinada, e
que hoje aparece como designação mais ou menos imprecisa.
A partir dos anos 60 foram realizados estudos sobre o 4º Distrito, em destaque temos o
trabalho chamado: “Anatomia do Bairro Navegantes”. A partir daí foram elaborados os
trabalhos que seguem:
• Proposta de Revitalização Urbana da Rua Voluntários da Pátria – 1984;
• MAB / UNESCO – 1988 – Lineu Castelo;
• Alternativa ambiental para um Parque Tecnológico na Região Metropolitana de
Porto Alegre – 1995 – Ghissia Hauser;
• Revitalização urbana do 4º Distrito – 1997 – Eng. Breno Ribeiro;
• Vários estudos acadêmicos realizados pelo PROPAR – 1992;
• Vários trabalhos realizados pela PMPA – 1993 a 1998;
Qual consideração podemos estabelecer hoje, em 2003, relativamente ao 4º
Distrito? Temos como premissa o dato de que nossa reflexão tem como base acúmulo
significativo de vários profissionais de grande envergadura que indicaram soluções de
planejamento para o que é hoje essa área. No entanto, essas indicações, por mais
meritórias que tenham sido, não mostraram eficiência e eficácia no processo de
revitalização de uma área que tem parte significativa na história econômica da cidade,
relacionada até 1959, de forma significativa com o Porto e que a partir dos anos 60 teve
um decréscimo considerável em função da evasão das empresas existentes no local.
A área do conhecido 4º Distrito está localizada ao Norte do Centro Histórico de Porto
Alegre ao longo da margem do Rio Guaíba. Era uma área mais que foi ganhando
identidade ao longo do tempo, sendo essa identidade centrada, sobre tudo, na construção
de galpões de empresas de base comercial, de empresas de base industrial, com
destaque para a Fiateci e a Renner, empresas industriais do ramo têxtil, e outras do ramo
alimentício e metalúrgico.
Os limites atuais do 4º Distrito são, para efeito desse estudo, hoje, relativos ao somatório
dos bairros Floresta, São Geraldo e Navegantes. Morfologicamente, o 4º Distrito é
formado por uma malha xadrez adaptada à topografia local plana, considerando ainda o
fato que ao longo da história da cidade vários equipamentos foram se somando, o
Trensurb, as estradas ou autopistas e o muro de proteção contra as cheias, etc.
Ao apresentarmos essas referências sintéticas nossa pergunta está direcionada às
condições que a área do Quarto Distrito apresenta. A degradação é evidente e soma-se
como problema o fato de ser uma área alagável, onde estão localizadas empresas de
carga, essas sobre tudo devido à proximidade com os acessos da cidade. Positivamente
podemos indicar a existência na área de uma infra-estrutura instalada no que se refere à
iluminação, energia, pavimentação e esgotamento cloacal. Mais recentemente a
renovação urbana está se fazendo nas bordas do 4° Distrito, em vias contíguas à Av.
Cristóvão Colombo com a criação de grandes conjuntos habitacionais, o que denota, o
interesse dos empreendedores locais naquela área da cidade.
Comparativamente ao Quarto Distrito, o Poble Nou de Barcelona, aparece tendo
características muito semelhantes. Também recebeu no período relativo ao início do
século destaque como área preferencialmente industrial e de forte relação com o porto de
Barcelona. Teve, o bairro, destaque e importância para a cidade no que se refere à
instalação de indústrias têxteis e metalúrgicas, entre outras. No entanto, o Poble Nou se
mostra como uma área com características morfológicas impostas por um grande plano
urbanístico.
Perguntamos: Como comparar dois locais historicamente distintos? Como buscar
semelhanças e diferenças, de forma a aprendermos o sentido fundamental de constituição
da cidade? Reciclagem, mudanças de uso, e todas as referências de recuperação
urbanísticas vêm a reboque de planos maiores, e, portanto, são conseqüências das
motivações históricas locais. Essas motivações históricas, ao nosso ver, são
incomparáveis por princípio, uma vez que são as bases do compromisso urbanísticas
assumido pelas cidades, e dessa forma, também são base de um processo de
compartilhamento de suas próprias histórias. O que será que Barcelona soube
compartilhar com sigo mesma? E perguntamos ainda, quais serão as vocações históricas
que deverão marcar o compromisso da cidade de Porto Alegre com o qual deveremos
compartilhar nossas ações e nosso respeito?

http://www.andreaspalladio.com.br/publica/solucaocompartilhada.pdf

História do Bairro Floresta

Trata-se de um bairro que, até ao final da Revolução Farroupilha, não passava de
uma área de chácaras. A partir de 1850, foi dada continuidade de um caminho até a
Estrada do Passo da Areia que, em 1857, recebeu o nome de rua da Floresta. Ruas como
Dr. Timóteo e Félix da Cunha já faziam parte do mapa da cidade em 1888. Também
neste ano, teve início a construção da capela de São Pedro, através de mobilização da
sociedade. Em 1919, torna-se paróquia. No ano de 1909, com a inauguração da linha
dos bondes de tração elétrica, que passava nas proximidades do bairro, o bairro passa a
ter um desenvolvimento constante.
A construção de um hospital no topo de um morro bastante arborizado, a Casa
de Saúde Bela Vista, no ano de 1849, contribuiu para o desenvolvimento urbano de toda
aquela região. Mais de cinqüenta anos depois, em 1903, o hospital foi adquirido pelo
Exército para tornar-se o Hospital Militar da Terceira Região, não pertencendo mais aos
limites do bairro Floresta.
Também grandes indústrias se instalaram por ali, como a Bopp, posteriormente
Brahma, fabricante das melhores cervejas da época, além de fábricas de fogões, camas,
de pregos, indústria de cigarros e outras, eis o porquê de ser chamado pela comunidade,
na época, de “bairro de chaminés”.
A Associação Amigos da Cristóvão Colombo, fundada em 06 de outubro de
1975, vem desempenhando um papel fundamental no bairro Floresta, organizando
diversas festividades para congregar a comunidade. Uma das tradicionais
comemorações foi “Chopp na Avenida”, que acontecia em um trecho da Avenida
Cristóvão Colombo, perdurando por treze edições, até o ano de 1997. Outra festa
tradicional é a “Criança na Avenida”, acontecendo no mês de outubro desde 1980 na
mesma avenida, com apresentações musicais, brincadeiras e quiosques de alimentação.
Hoje, mantendo caraterísticas residenciais, o bairro conta com grande variedade
comercial onde, inclusive, a Fábrica da Brahma cedeu espaço ao Shopping Total,
preservando ainda algumas características do prédio original. 38
Referências Bibliográficas:
FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: Guia Histórico. 2º edição. Porto Alegre: Ed.
Universidade/UFRGS, 1992. p. 163-167
RIOS, Renata Ferreira. Histórico – Floresta. IN: http:
//www.nosbairros.com.br/floresta.htm
CENSO IBGE 2000 In: http://www.portoalegre.rs.gov.br

Fonte:
http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/observatorio/usu_doc/historia_dos_bairros_de_porto_alegre.pdf